quarta-feira, maio 22, 2013

Professor Javier Naranjo - colombiano


Um professor colombiano (Javier Naranjo)passou dez anos coletando definições de seus alunos e, como resultado, obteve um dicionário com verbetes ao mesmo tempo puros, lógicos e reais

Um Professor
A Feira do Livro de Bogotá, que aconteceu no final de abril, teve como maior sucesso um livro chamado “Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças”. Mais especificamente, uma parte dele: umdicionário feito por crianças que traz cerca de 500 definições para 133 palavras, de A a Z.


Adulto: 

Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma
(Andrés Felipe Bedoya, 8 anos)

Ancião:

 É um homem que fica sentado o dia todo(Maryluz Arbeláez, 9 anos)

Água:
 Transparência que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos)

Branco:
 

O branco é uma cor que não pinta (Jonathan Ramírez, 11 anos)

Camponês: 
um camponês não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos (Luis Alberto Ortiz, 8 anos)


Céu:
De onde sai o dia(Duván Arnulfo Arango, 8 anos)

Colômbia:
 É uma partida de futebol (Diego Giraldo, 8 anos)


Dinheiro:

 Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e,
 sem ela, se faz inimigos
 (Ana María Noreña, 12 anos)


Deus:
 É o amor com cabelo grande e poderes
(Ana Milena Hurtado, 5 anos)


Escuridão:
 É como o frescor da noite 
(Ana Cristina Henao, 8 anos)


Guerra:
Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz 
(Juan Carlos Mejía, 11 anos)


Inveja:

 Atirar pedras nos amigos 
(Alejandro Tobón, 7 anos)


Igreja:
 Onde a pessoa vai perdoar Deus
 (Natalia Bueno, 7 anos)


Lua:
 É o que nos dá a noite
 (Leidy Johanna García, 8 anos)


Mãe:
 Mãe entende e depois vai dormir
 (Juan Alzate, 6 anos)


Paz:
 Quando a pessoa se perdoa
 (Juan Camilo Hurtado, 8 anos)


Sexo:
 É uma pessoa que se beija em cima da outra
 (Luisa Pates, 8 anos)


Solidão:
 Tristeza que dá na pessoa às vezes
 (Iván Darío López, 10 anos)


Tempo:
 Coisa que passa para lembrar 
(Jorge Armando, 8 anos)


Universo:
 Casa das estrelas
 (Carlos Gómez, 12 anos)


Violência:
 Parte ruim da paz 
(Sara Martínez, 7 anos)

quarta-feira, maio 01, 2013


Eu também já postei a referida no texto, com o titulo " Envelhecer".
Um desabafo...
Aí mora o medo!!


REFLEXÕES
(Neyza Dantas)


Há algum tempo registrei no meu BLOG, o que alguém escreveu: - Envelheci, e daí?
Como me identifiquei com tal pessoa! Mas, li em algum lugar, o que outra pessoa escreveu com muita sabedoria: “Ninguém quer ficar velho, mas também não quer morrer jovem.” Percebe?
No ano de 2011, ninguém acreditava quando eu dizia, respondendo ao preencherem formulários para isto ou aquilo, que eu estava com setenta e cinco anos.
Na verdade, até mesmo eu me espantava ao ver minha imagem em fotos ou no espelho.
Uma amiga gostava de mostrar minhas mãos, para admirarem por estarem lisas e sem aquelas “ferrugens” que denunciam o envelhecer. Nem uma pintinha marrom.
Colocavam em dúvida quando olhavam meus cabelos que nunca viram tintura.
E eu pensava: afinal, a velhice não é um bicho de sete cabeças. Aceitava minha idade tranquilamente. Até ali!
Hoje, estou chegando aos setenta e sete.
O ano de 2012 veio com tudo. Nada de bom!
Neste momento, recordando tudo que vivi desde o início do ano passado, me vejo na urgência de mudar meus conceitos sobre a idade. Nada de bom! Acontece e daí? É natural!
Quem chegou primeiro foi o medo. É um fenômeno dubitativo: o medo da morte me vem associado à asfixia. Sempre pedindo a Deus que quando for a hora, me poupe de morrer em situações onde me falte o ar. Por outro lado, me vem o medo de ficar anos e anos totalmente dependente de outrem para tudo. Zeus!
Este ano está sendo pior. É desanimador.
Sou semi-dependente entre quatro paredes. Já sofri dois infartos e não posso ir a lugar nenhum sozinha. Aí sou dependente. Pode crer!
Me apareceram doenças que só existiam para os outros: catarata, tireoidismo e qualquer coisa a investigar no coração.
E o pior de tudo é às vezes, desejar ir a algum lugar, dependendo da hora em que alguém pode sair comigo. Quase sempre a disponibilidade delas não coincide com o que eu quero. Passear, dançar, festas? Nem pensar! E aí?
É claro que, se eu pedir, elas ajeitam, mas me incomoda vê-las alterando seus planos para não me contrariarem. É de doer! Só!!!
Fica para depois, já é uma constante na minha vida. O aqui e o agora, já eram. Quer mais? Tudo tenho que anotar. Ah! Esqueci! E agora? (risos). Deixar cair as coisas é comigo mesmo. Fazer o que?
E não acreditarem em mim quando digo: tenho certeza! Essa é de morte! Indignidade! Arre!!!
Não sei exatamente quando foi que me quebrei em pedaços, igual um vaso de porcelana. Já que é impossível juntá-los como um quebra-cabeça e refazer minha vida – a de verdade -, coloquei-os em uma caixa inviolável, bem aqui nos meus dois aposentos que digo, só de farra, que é minha casa, pois na verdade são parte da casa da Vanessa. É até possível que alguma partícula tenha se perdido e não vou querer conferir: é melhor pensar que não está fazendo falta.
Sinto muitas saudades do tempo em que saía sozinha, a favor do vento fazendo poesia em meu corpo seguro, sem me preocupar com as horas. Entrar em uma loja para comprar supérfluos para mim ou para “minhas” adoráveis crianças; ser a única dona da minha vontade; não estar gastando a paciência de alguém que me acompanha por falta de opção. E preciso assegurar a gratidão.
Prefiro não medir o tempo em que fui dona de mim, para evitar a dor de saber que não o serei nunca mais. Como boa leonina, não vou me conformar. Jamais!!!

http://neyzadantas.blogspot.com.br

terça-feira, abril 23, 2013

O Tempo e o Modo





O tempo, que é de todos o maior e o mais sábio juiz, acaba sempre por mostrar quem se enganou, por ambição ou por falta de ponderação

Um pedaço de tempo é uma pepita de ouro

A nossa vida é um átomo, aliás, mais breve que um átomo; mas a natureza zombou dessa ninharia dando-lhe a aparência de um tempo bastante longo

A vida é uma luta contra o tempo. Queremos agarrá-lo, discipliná-lo, para poder fazer tranquilamente alguma coisa – e ele escoa-se, não pára, não se deixa agarrar, corre inexoravelmente, não nos deixa descansar.

Às vezes o tempo voa como um pássaro; outras arrasta-se como um caracol. O homem é feliz quando não se apercebe se o passo do tempo é lesto ou moroso. O que lhe importa é ganhar, em cada dia, mais um dia.
Dizer que o tempo é dinheiro, é falso e pernicioso. O tempo vale infinitamente mais que o dinheiro e nada tem de comum com ele. Não se pode amontoar tempo; nem tão pouco sabemos quanto tempo nos resta no banco da vida.
Aqueles para quem apenas o presente conta, na verdade nada conhecem da época em que vivem: para compreender o nosso século é necessário compreender todos os séculos que o procederam e que contribuíram para o formar

Não há um passado que mereça ser revivido com nostalgia, existe apenas um mundo eternamente novo e que se forma com a ampliação dos elementos do passado. A verdadeira nostalgia deve ser sempre produtiva para criar um mundo melhor

Apesar de dispormos diariamente de 1.440 minutos, vivemos escravizados pelo tempo. De tal modo, que ficamos ansiosos e a olhar furtivamente para o relógio, quando temos de conceder uns escassos minutos a alguém

Como o tempo não espera por ninguém, valorizemos cada momento de nossas vidas. Seja qual for a idade, aproveitemos, positivamente, cada segundo dos 86.400 que nos são atribuídos todos os dias, de tal modo que cheguemos a idosos sem nos sentir-mos velhos

O tempo não tem favoritos. Para ele somos todos iguais. O nosso dia de vinte e quatro horas não é maior ou mais pequeno que o do vizinho. Esse tempo pertence a cada um de nós para o gastarmos, segundo a segundo, hora a hora, dia a dia, ano a ano, como decidirmos
O tempo é demasiado aborrecido para os que nada esperam; demasiado rápido para os que têm medo; demasiado prolongado para os que se afligem; demasiado curto para os que se regozijam; mas para os que amam…o tempo é a eternidade

O tempo não espera por ninguém.

O Ontem pertence à História. O Amanhã é um mistério. Quanto ao Hoje, aproveitemo-lo integralmente, porque, é uma dádiva.

Por isso, se designa Presente


(Textos compilados de diversos escritores e pensadores mundiais)


terça-feira, abril 16, 2013

Entrevista com Sigmund Freud!

Entrevista com Sigmund Freud!

Entrevista conduzida por George Sylvester Viereck, publicada no seu livro: Glimpses of the Great, publicado simultaneamente em Nova Iorque, Londres e Berlim em 1930, e republicada no livro: ALTMAN, Fábio (org.) A arte da entrevista: uma antologia de 1823 aos nossos dias. São Paulo: Scritta 1995.


Sigmund Freud (1856-1939), o judeu austríaco fundador da psicanálise, formou-se em medicina em Viena. Aperfeiçoou seus estudos em Paris, com Jean-Marie Charcot, que usava a hipnose como tratamento para a histeria. Ao romper com Charcot e com a prática da hipnose, Freud se deparou com o mecanismo de defesa dos pacientes e pode então desenvolver a teoria do inconsci- ente e sua própria técnica terapêutica, baseada na livre associação de idéias. Para o médico austríaco, a neurose adulta era resultado da sexualidade infantil. Em 1900, Freud publicou A interpretação dos sonhos, seu primeiro trabalho revolucionário - obra que ele havia terminado anos antes mas que guardou para lançá-la no despertar de um novo século. Ele tinha razão ao adiá-lo: o século XX foi o tempo de Sigmund Freud. Em 1938, quando os nazistas anexaram a Áustria, depois de terem banido a psicanálise da Alemanha, Freud imigrou para a Inglaterra em companhia de sua Anna, que se tornaria conhecida como psicóloga infantil. Freud morreu de câncer na garganta.
George Sylvester Viereck (1884-1962), jornalista americano de origem judaico-alemã, iniciou sua carreira nas letras escrevendo poesias antes de se tornar um dos grandes entrevistadores da imprensa americana. Algumas de suas mais importantes conversas foram publicadas em um volume chamado Glimpses of the great, publicado simultaneamente em Nova Iorque, Londres e Berlim em 1930.

* * *
“Setenta anos de idade me ensinaram a aceitar a vida com alegre humildade."
Quem fazia essa declaração era o professor Sigmund Freud, o grande explorador austríaco do lado oculto da alma. Assim como o trágico herói grego Édipo, cujo nome está tão intimamente ligado aos princípios fundamentais da psicanálise, Freud confrontou a Esfinge sem receio. Como Édipo, ele decifrou o enigma. Pelo menos, nenhum mortal chegou tão perto dos segredos do comportamento humano quanto Freud.

Freud é para a psicologia o que Galileu foi para a astronomia. É o Cristóvão Colombo do inconsciente. Ele abre novas perspectivas, sonda novas profundezas. Freud alterou todas as relações na vida, decifrando o sentido oculto das regras do inconsciente. Conversamos na casa de veraneio de Freud em Semmering, uma montanha nos Alpes Austríacos, onde os vienenses elegantes adoram se reunir. A última vez que vira o pai da psicanálise, ele estava em sua casa simples na capital austríaca. Os poucos anos que separavam a minha última visita desta de agora multiplicaram as rugas na sua testa e aumentaram a sua palidez acadêmica. Seu rosto estava abatido, sofrido. A mente estava ativa, o espírito firme, a cortesia impecável como sempre, mas uma leve problema de fala me preocupou.

Parece que uma doença maligna no maxilar superior necessitara de uma operação. Desde então, Freud usa um aparelho mecânico para facilitar a fala.Na verdade, não há diferença entre o uso desse aparelho ou de óculos. Ele deixa Freud mais constrangido do que os visitantes. Depois que conversamos com ele por algum tempo, o aparelho se torna quase imperceptível. Nos dias em que Freud está bem, nem se percebe a presença dele. Mas para Freud, ele é causa de constante irritação.

Eu detesto o meu maxilar mecânico porque a luta com o mecanismo consome uma força preciosa. Mas é melhor ter um maxilar mecânico do que nenhum.Ainda prefiro viver a morrer. Talvez os deuses sejam generosos conosco, tornando a vida mais desagradável à medida em que envelhecemos. No final, a morte parece mais tolerável do que os muitos problemas que temos que enfrentar.

Freud se recusa a admitir que o destino tenha sido rancoroso com ele.

Por que, eu devia esperar por algum tipo de privilégio? A idade, com seus visíveis desconfortos, chega para todos. Ela atinge um homem aqui, outro lá. O seu golpe sempre atinge uma parte vital. A vitória final sempre pertence ao Conqueror Worm.

Out - out are the lights - out all!

And over each quivering form

The curtain, a funeral pall,

Comes down, with the rush af a storm,

And the angels, ali pallid and wan,

Uprising, unveiling, affirm

That the play is the tragedy"Man,"

And its hero the Conqueror Worm. (1)

Não me revolto contra a ordem universal, afinal vivi mais de setenta anos. Eu tive o que comer. Desfrutei de muitas coisas - do companheirismo da minha esposa, dos meus filhos, do pôr-do-sol. Eu vi as plantas crescerem na primavera. Algumas vezes recebi um aperto de mão amigo. Uma ou duas vezes encontrei um ser humano que quase me entendeu. O que mais eu posso querer?

- O senhor é famoso. O seu trabalho influencia a literatura de todo o mundo. O homem olha para si e para a vida com olhos diferentes por sua causa. E, há pouco tempo, quando o senhor fez 70 anos, o mundo se uniu para homenageá-lo - com exceção da sua própria universidade!
Se a Universidade de Viena me aceitasse, eu teria me sentido muito constrangido.Não há razão para eles me aceitarem ou à minha doutrina porque eu estou com 70 anos. Não dou nenhuma importância ilógica aos números. A fama só chega quando já estamos mortos, e, para ser franco, o que acontece depois da morte não me interessa. Não aspiro à glória póstuma. A minha modéstia não é nenhuma virtude.
- O fato do seu nome ser lembrado não significa nada para o senhor?

Absolutamente nada, mesmo que ele seja realmente lembrado, o que não é certo. Eu estou mais interessado no destino dos meus filhos. Espero que a vida deles não seja tão dificil. Não posso torná-las muito mais fácil. A guerra praticamente acabou com a minha modesta fortuna, as economias de uma vida inteira. Entretanto, felizmente, a idade não pesa tanto para mim. Eu ainda sou capaz de seguir em frente! Meu trabalho ainda me dá prazer.

Nós andávamos por um caminho do jardim da casa.
Com as mãos sensíveis, Freud acariciou um arbusto que florescia.

Estou muito mais interessado nestas flores do que no que possa acontecer comigo depois que eu morrer.

- Então, no fundo, o senhor é um pessimista?
Não, não sou. Só que eu não permito que nenhuma reflexão filosófica me tire a alegria das coisas simples da vida.


- O senhor acredita na continuidade do ser após a morte, seja lá de que maneira for?
Eu não penso nesse assunto. Tudo o que nasce, um dia morre. Por que então eu também não morreria?




- O senhor gostaria de retornar à vida, assumindo uma nova forma? Em outras palavras, o senhor não gostaria de ser imortal?
Para ser franco, não. Quem identifica as razões egoístas que se escondem sob o comportamento humano não tem a menor vontade de voltar. A vida, movendo-se em círculos, ainda seria a mesma. Além disso, mesmo que o eterno retorno de todas as coisas, como disse Nietzsche, nos vestisse com novas roupas, que utilidade isso poderia ter sem a memória? Não haveria ligação entre o passado e o futuro. No que me diz respeito, estou muito satisfeito em saber que o eterno absurdo de viver terminará um dia. Nossa vida se resume a uma série de obrigações, uma luta sem fim entre o ego e o seu ambiente. O desejo de um prolongamento excessivo da vida me parece absurdo.



- O senhor não aprova as tentativas do seu colega Steinach de prolongar o ciclo da existência humana?
Steinach não faz nenhuma tentativa para prolongar a vida. Ele simplesmente luta contra a velhice. Ao aumentar a reserva de forças que temos dentro de nós, ele ajuda o corpo a resistir à doença. A operação de Steinach às vezes detém os acidentes biológicos, como o câncer, nos seus primeiros estágios. Ela toma a vida mais tolerável. Mas não a torna mais feliz. Não há razão para que o homem queira viver mais. Mas temos todas as razões para querer viver com o mínimo de desconforto possível. Sou bastante feliz, porque não sinto dores e sou grato aos pequenos prazeres da vida, aos meus filhos e às minhas flores!

- Bernard Shaw diz que vivemos muito pouco. Ele acha que, se quiser, o homem pode prolongar o tempo de vida humana, se a força de vontade suplantar as forças da evolução. A humanidade, segundo ele, pode recuperar a longevidade dos patriarcas.

É possível que a morte em si não seja uma necessidade biológica.Talvez os homens morram porque queiram morrer. Assim como o amor e o ódio pela mesma pessoa coexistem dentro de nós, a vida é uma mistura do desejo de viver com o desejo ambivalente de morrer. Da mesma forma que um elástico tende a voltar ao seu formato original, toda matéria viva, consciente ou inconscientemente, anseia pela inércia completa e absoluta da existência inorgânica. Os desejos de morrer e de viver convivem lado a lado dentro de nós. A Morte é a companheira do Amor. Juntos, eles governam o mundo. Essa é a mensagem do meu livro, Além do princípio do prazer. No início, a psicanálise achava que o Amor era o sentimento mais importante. Hoje, sabemos que a Morte tem a mesma importância. Biologicamente, todo ser humano, não importando a intensidade do seu desejo de viver, anseia pelo Nirvana, pela fim da febre chamada vida, pelo seio de Abraão. O desejo pode ser disfarçado por rodeios. Entretanto o objetivo final da vida é a própria extinção!

- Essa, exclamei, é a filosofia da autodestruição. Ela justifica o automassacre.Levaria à conclusão lógica do suicídio mundial previsto por Eduard von Hartmann.
A humanidade não escolhe o suicídio, porque as leis da sua natureza não aceitam o caminho direto para a própria meta. A vida deve completar o seu ciclo de existência. Em qualquer ser humano normal, o desejo de viver é o bastante para compensar o desejo de morrer, embora, no final, o desejo de morrer prove ser mais forte. Nós podemos considerar a idéia de que a morte nos chega por vontade própria. É possível que derrotássemos a morte, não fosse pelo aliado que ela tem dentro de nós mesmos. Nesse sentido, acrescentou Freud com um sorriso, talvez seja certo dizer que toda morte é um suicídio disfarçado.

Começou a esfriar no jardim. Continuamos a conversa no escritório. Vi uma pilha de escritos com a letra de Freud sobre a escrivaninha.

- Em que o senhor está trabalhando?
Estou escrevendo uma defesa da análise leiga, a psicanálise praticada por leigos.Os médicos querem tornar ilegal a análise feita pelos que não são médicos registrados. A história, essa velha plagiadora, se repete a cada nova descoberta.Os médicos, a princípio, combatem qualquer nova verdade. Depois eles tentam monopolizá-la.

- O senhor teve um grande apoio dos leigos?
Alguns dos meus melhores alunos são leigos.

- O senhor pratica a psicanálise com muita freqüência?
Claro. Nesse exato momento, eu estou trabalhando em um caso difícil, esclarecendo os conflitos psíquicos de mais um paciente interessante. Minha filha também é uma psicanalista, como o senhor pode ver ...

Nesse momento, a senhorita Anua Freud surgiu seguida por seu paciente, um rapaz de 11 anos, de feições obviamente anglo-saxônicas. O menino parecia muito feliz, esquecido do conflito da própria personalidade.

- O senhor se auto-analisa?É claro. O psicanalista deve se auto-analisar com freqüência. Ao nos analisarmos, nos tornamos mais capazes de analisar outras pessoas. O psicanalista é como o bode expiatório dos hebreus. As pessoas colocam a culpa dos seus pecados nele.Ele deve exercer a sua arte com perfeição para se livrar do peso colocado sobre ele.
- Sempre me pareceu que a psicanálise desperta em todos aqueles que a praticam o espírito da caridade cristã. Não há nada na vida humana que a psicanálise não nos permita entender. “Tout comprendre c'est tout pardonner."

Pelo contrário - enfureceu-se Freud, as feições assumindo a severidade arrebatada de um profeta hebreu - entender não é perdoar .A psicanálise não apenas nos ensina o que temos que suportar, ela também ensina o que temos que evitar. Ela nos diz o que deve ser eliminado. A tolerância do mal não é, de maneira nenhuma, uma conseqüência do conhecimento.

De repente eu entendi por que Freud brigara tão seriamente com os seguidores que o abandonaram, por que ele não consegue perdoar aqueles que se afastaram do caminho da psicanálise ortodoxa. O seu senso de integridade é uma herança dos seus ancestrais. Uma herança da qual ele se orgulha, assim como se orgulha da própria raça.

Minha língua é o alemão - explicou-me - Minha cultura, minhas conquistas são alemãs. Considerei-me um alemão do ponto de vista intelectual, até que percebi o crescimento do anti-semitismo na Alemanha e na Áustria alemã. Desde então, não me considero mais um alemão. Prefiro me considerar um judeu."

De certa maneira fiquei decepcionado com esse comentário. Parecera-me que o espírito de Freud estava acima de qualquer preconceito de raça, que ele não seria atingido por qualquer rancor pessoal. Ainda assim, aquela mesma indignação, a raiva honesta, conquistou-me por torná-lo mais humano.Aquiles seria insuportável, não fosse por seu calcanhar!


- Estou feliz – comentei - Herr Professor, que o senhor também tenha os seus complexos, que o senhor também exponha a sua mortalidade.
Os nossos complexos - respondeu Freud - são a fonte da nossa fraqueza e, com frequência, também da nossa força.
- Quais seriam os meus complexos?",
Uma análise séria levaria, pelo menos, um ano. Talvez demorasse até mesmo uns dois ou três anos. O senhor tem dedicado muitos anos da sua vida à caça de leões.O senhor tem procurado, ano após ano, as grandes personalidades da sua geração, invariavelmente homens mais velhos. Posso citar Rooseve1t, o Kaiser, Hindenburg, Briand, Foch, Joffre, George Brandes, Gerhart Hauptmann e George Bernard Shaw...
- Isso é parte do meu trabalho.

Mas também é uma preferência. O homem importante é um símbolo. A sua busca é afetiva. O senhor está à procura do homem importante que irá tomar o lugar do seu pai. Isso é parte do complexo que o senhor tem em relação ao seu pai.

Neguei a afirmação de Freud com veemência. Entretanto, após refletir, parece-me que pode haver alguma verdade, insuspeita para mim, na sua sugestão casual. Talvez seja o mesmo impulso que me levou a ele.

- No seu trabalho O Judeu Errante - acrescentei,- o senhor estende essa busca ao passado. O senhor é o eterno Explorador do Homem. Eu queria poder ficar aqui durante o tempo que fosse necessário para ver o meu interior através dos seus olhos. Talvez, como a Medusa, eu morresse de medo ao ver minha própria imagem! Entretanto acho que conheço bastante a psicanálise. Eu iria prever, ou tentar prever, as suas intenções.

A inteligência de um paciente - respondeu Freud - não é um empecilho. Pelo contrário, às vezes, ela facilita o trabalho.

Nesse aspecto, o mestre da psicanálise difere de muitos dos seus adeptos, que se ressentem de qualquer dedução feita pelos próprios pacientes sob os cuidados deles. A maioria dos psicanalistas emprega o método da "livre associação" de Freud. Eles encorajam o paciente a dizer qualquer coisa que lhes venha à cabeça, não importando o quanto o que dizem possa ser idiota, obsceno, inoportuno ou irrelevante. Seguindo pistas que parecem não ter importância, encontram os dragões psíquicos que assustam o paciente, afugentando-os. Eles não apreciam o desejo de cooperação ativa do paciente, pois têm medo que, quando descoberta a direção da sua investigação, os desejos e a resistência do paciente lutem inconscientemente para manter seus segredos, desviando o caçador psíquico da sua pista. Freud também reconhece esse perigo.

- Às vezes eu penso - disse eu - se nós não seríamos mais felizes se conhecêssemos menos o processo que forma os nossos pensamentos e emoções. A psicanálise tira o encantamento da vida, quando segue a pista de cada um dos sentimentos até os seus complexos básicos. Não ficamos mais felizes ao descobrir nosso lado selvagem, criminoso e animal.

O que o senhor tem contra os animais? - respondeu Freud - A comunidade animal é infinitamente melhor do que a humana:'

- Porquê?
Porque os animais são muito mais simples. Eles não sofrem de personalidade dividida ou desintegração do ego, problemas que surgem da tentativa do homem de se adaptar a padrões de civilização que são sofisticados demais para o seu mecanismo intelectual e psíquico. O selvagem, assim como o animal, é cruel, mas ele não tem a maldade do homem civilizado. A maldade é a vingança do homem contra a sociedade pelas restrições impostas a ele. É essa vingança que dá vida ao reformista profissional e às pessoas intrometidas. O selvagem pode cortar a sua cabeça, comê-lo, torturá-lo. mas ele vai poupá-lo das pequenas provocações que, às vezes, tornam a vida em uma comunidade civilizada quase intolerável. Os hábitos e as idiossincrasias mais desagradáveis do homem, como a trapaça, a covardia e a falta de respeito, são produzidos pela sua adaptação incompleta a uma civilização complicada. É o resultado do conflito entre os nossos instintos e a nossa cultura. As emoções intensas, diretas e simples de um cachorro, ao abanar o rabo ou latir quando é contrariado, são muito mais agradáveis! As emoções de um cachorro - acrescentou Freud pensativo - me fazem lembrar um dos heróis da antiguidade. Talvez seja por isso que nós inconscientemente damos aos cães nomes de heróis da antiguidade como Aquiles ou Heitor.
O meu próprio cachorro – interrompi - se chama Ajax. Freud sorriu. Fico feliz, - acrescentei - que ele não consiga ler. Se pudesse latir, expressando sua opinião sobre traumas psíquicos e complexos de Édipo, ele não seria um membro tão querido da família!

- Até mesmo o senhor, professor, acha a existência muito complexa. No entanto, me parece que o senhor mesmo é, em parte, responsável pela complexidade da civilização moderna. Antes que o senhor inventasse a psicanálise. ninguém sabia que a personalidade era dominada por um exército beligerante de complexos bastante censuráveis. A psicanálise fez da vida um complicado quebra-cabeça.

De jeito nenhum - respondeu Freud - A psicanálise simplifica a vida. Nós atingimos uma nova síntese depois da análise. A psicanálise cria uma nova ordem para o labirinto onde estão perdidos certos impulsos, e tenta conduzi-los para o lugar ao qual pertencem. Ou, usando outra metáfora, ela é o fio que conduz o homem para fora do labirinto do seu próprio inconsciente.

- Em uma visão superficial, parece, entretanto, que a vida humana nunca foi tão complexa. E, a cada dia, alguma nova idéia, apresentada pelo senhor ou por um dos seus discípulos, torna o problema do comportamento humano mais enigmático e contraditório.

Pelo menos a psicanálise nunca fecha as portas para uma nova verdade.

- Alguns dos seus alunos, mais ortodoxos do que o senhor, se agarram a qualquer declaração que o senhor faça.

A vida muda e a psicanálise também - observou Freud - Estamos só no princípio de uma nova ciência.

- Eu acho a estrutura científica que o senhor criou muito complexa. E os elementos dessa estrutura, como a teoria da substituição, da sexualidade infantil, do simbolismo dos sonhos, etc., parecem permanentes.

No entanto, torno a dizer, nós só estamos começando. Sou apenas um principiante.Consegui trazer à tona muito do que estava enterrado nas camadas mais profundas da mente. Mas, enquanto eu só descobri alguns templos, outros podem descobrir um continente.

- O senhor ainda dá grande importância ao sexo?

Eu respondo com as palavras do grande poeta Walt Whitman: “Mas não haveria nada, se não houvesse o sexo”. Entretanto, como já disse, hoje em dia, eu dou a mesma importância ao que está além do prazer - a morte, a negação da vida. Esse desejo explica porque alguns homens gostam da dor - ela representa um passo em direção à morte! O desejo da morte explica por que todos os homens procuram o descanso eterno, por que os poetas agradecem -

“Whatever gods there be,

That no life lives for ever,

That dead men rise up never,

And even the weariest river

Winds somewhere safe to sea “ (2)

- Shaw, como o senhor, não deseja viver para sempre, mas ele acha o sexo desinteressante, comentei.

Shaw, respondeu Freud, sorrindo, não entende o sexo. Ele não faz a mais remota idéia do que seja o amor. Não existe nenhum relacionamento amoroso real nas suas peças. Ele transforma o caso de amor de César - talvez a maior paixão da história - em uma piada. Deliberadamente, para não dizer maliciosamente, ele despe Cleópatra de todo o seu esplendor e a rebaixa à condição de uma mulher insignificante, petulante e exagerada. A razão para a estranha atitude de Shaw em relação ao amor e para a sua negação do impulso primordial de todas as ações humanas, o que tira de suas peças o atrativo universal apesar da sua grande inteligência, está na natureza da sua psicologia. Em um de seus prefácios, Shaw enfatiza o aspecto ascético da sua personalidade. Posso ter cometido muitos erros, mas tenho certeza que não errei ao enfatizar a predominância do instinto sexual.Porque o instinto sexual é tão forte que se choca com muita freqüência contra as convenções e salvaguardas da civilização.A humanidade, em defesa própria, procura negar a importância suprema do sexo. Analise qualquer emoção humana, não importa o quanto ela esteja distante da esfera do sexo, e o senhor vai encontrar com certeza, em algum lugar, o impulso primordial, ao qual a própria vida deve a sua perpetuação.


- É certo que o senhor conseguiu incutir o seu ponto de vista sobre todos os escritores modernos. A psicanálise deu nova força à literatura.

Ela também recebeu contribuições da literatura e da fllosofia. Nietzsche foi um dos primeiros psicanalistas. É incrível o quanto a intuição dele se antecipou às nossas descobertas. Ninguém identificou com mais clareza as razões para o comportamento humano e a luta do princípio do prazer pelo eterno domínio. O seu Zaratustra diz:

Woe
Crieth: Go

But Pleasure craves eternity,
Craves quenchless, deep eternity (3)

Pode ser que a psicanálise seja menos discutida na Áustria e na Alemanha do que nos Estados Unidos, mas a sua influência sobre a literatura, no entanto, é enorme.Thomas Mann e Hugo von Hofmansthal nos devem muito. Schnitzler acompanha, em grande parte, o meu desenvolvimento. Ele expressa através da poesia muito do que eu tento transmitir cientificamente. Mas o doutor Schnitzler não é apenas um poeta, ele é também um cientista.

- O senhor, respondi, não é apenas um cientista, é também um poeta. A literatura americana, continuei, está impregnada pela psicanálise. Rupert Hughes, Harvey O'Higgins e outros são seus intérpretes. É quase impossível abrir um novo romance recente sem encontrar alguma referência a psicanálise.Entre os dramaturgos, Eugene O'Neill e Sydney Howard devem muito ao senhor. The Silver Cord (O cordão de prata), por exemplo, é uma mera dramatização do complexo de Édipo.


Eu sei disso, sou grato pelo reconhecimento, mas temo pela minha própria popularidade nos Estados Unidos. O interesse dos americanos pela psicanálise não é muito profundo.A grande popularidade leva à aceitação superficial sem uma pesquisa séria.As pessoas apenas repetem o que escutam no teatro ou lêem nos jornais. Eles pensam que compreendem a psicanálise, porque conseguem repetir o nosso jargão! Eu prefiro o estudo mais intenso da psicanálise nos centros europeus.Os Estados Unidos foram o primeiro país a me reconhecer oficialmente.A Clark University me conferiu um grau honorário quando eu ainda estava condenado ao ostracismo na Europa. No entanto os Estados Unidos contribuíram muito pouco para o estudo da psicanálise. Os americanos são generalizadores inteligentes, mas raramente são pensadores criativos. Além disso, os médicos americanos, bem como os austríacos, tentam apropriar-se do campo. Deixar que a psicanálise permaneça somente nas mãos dos médicos será fatal para o seu desenvolvimento A formação médica pode ser tanto uma vantagem quanto uma desvantagem para o psicanalista. Ela é uma desvantagem quando certas convenções científicas aceitas se tornam arraigadas demais na mente do estudante.

Freud precisa dizer a verdade a todo custo! Não consegue se forçar a lisonjear os Estados Unidos, onde tem a maioria dos seus admiradores. Não consegue, mesmo estando em desvantagem, fazer as pazes com a profissão médica, que até hoje o aceita com grande relutância. Apesar da sua integridade inflexível, Freud é muito cortês. Ele ouve qualquer sugestão com paciência, sem jamais tentar intimidar o entrevistador. É raro um convidado partir sem algum presente, uma lembrança da sua hospitalidade! A noite chegara. Estava na hora de pegar o trem de volta para a cidade que um dia abrigara o esplendor imperial dos Habsburgos. Freud, acompanhado pela esposa e pela filha, subiu a escada que ligava o seu retiro nas montanhas à rua, para se despedir de mim. Ele me pareceu triste e sombrio, quando acenou para mim.

Não me faça parecer um pessimista - comentou depois do último aperto de mão - Eu não desprezo o mundo. Expressar insatisfação para com o mundo é só uma outra maneira de cortejá-lo, para conseguir platéia e aplausos! Eu não sou um pessimista, não enquanto tiver meus filhos, minha mulher e minhas flores! As flores - acrescentou ele sorrindo - felizmente não têm personalidade ou complexidades.Adoro as minhas flores. E não sou infeliz - pelo menos, não mais do que outras pessoas.

O apito do meu trem soou na noite. O carro me levou à estação com rapidez Aos poucos, a figura levemente curvada e a cabeça grisalha de Sigmund Freud desapareceram ao longe. Como Édipo, Freud olhou fundo nos olhos da Esfinge.O monstro propõe seu enigma para qualquer viajante. O andarilho que não souber a resposta será cruelmente agarrado e atirado contra as rochas. Mesmo assim, ela talvez seja mais gentil com aqueles que destrói do que com os que adivinham seu segredo.
__________

Notas:
(1) Acendam - acendam as luzes - todas elas
E acima de cada forma trêmula
A cortina, um pano mortuário
Desce, com a fúria de uma tempestade,
E os anjos, todos pálidos e lívidos,
levantando, revelando, afirmam
Que a peça é a tragédia "Homem",
E seu herói o Verme Conquistador.

(2) Onde quer que os deuses estejam,
Não há vida que viva para sempre
Os homens mortos nunca renascem,
E até o rio mais enfastiado
Segue confiante na direção do mar

(3) Desgraça

Grite: Vá
Mas o prazer implora por eternidade,
Implora insaciável, profunda eternidade


FONTE: www.tirodeletra.com.br

segunda-feira, abril 15, 2013

EDUCAÇÃO ENFERRUJA POR FALTA DE USO


Henri-Marie-Raymonde de Toulouse-Lautrec


Gosto muito desse texto cujo crédito de autoria é dado para Toulouse-Lautrec.
Mesmo que esse texto fosse anônimo não perderia a força da verdade que nele está inserido  
 
Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.

É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.

Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas.

Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.


É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante não ficar espaçoso demais.
É elegante, você fazer algo por alguém , e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer...
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
" É elegante o silêncio, diante de uma rejeição... "
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do Gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.
É elegante a gentileza,.atitudes gentis falam mais que mil imagens...
...Abrir a porta para alguém...é muito elegante (Será q ainda existem homens assim?)...
...Dar o lugar para alguém sentar...é muito elegante...
...Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...
...Oferecer ajuda...é muito elegante...
...Olhar nos olhos, ao conversar é essencialmente elegante...
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas
tentar imitá-la é improdutivo.

A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que "com amigo não tem que ter estas frescuras".
Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.
Educação enferruja por falta de uso.

E, detalhe: não é frescura.


Retorno!!

Na verdade  com as modificações feitas no Blogger eu me perdi e não conseguia entrar mais aqui.
Mas finalmente consegui, depois de dois anos tentando.(risos)
Vou outra vez postar coisas que eu gosto .Fica aqui registrado...

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Boas Festas ao Meus Amigos

Natal,
meu mundo encantado.
=====================
A criança que há em mim, me ensina a forma certa de amar.

Sonhos... Sonhos... E sonhos!...

É no meu mundo encantado do faz-de-conta
que o colorido trenó não para de voar.
Habitam nele gnomos, duendes e fadas e
borboletas de todas as cores bailam no ar.
Flores lindas e pássaros alegres vivem a cantar.

Com estes pensamentos eu adormeço sorrindo
E desperto a sonhar...

Tenho uma criança escondida no peito.
Para não me deixar envelhecer
Faço todo o empenho possível
Para não vê-la crescer...

Ser adulta-criança é ser alegre,
ter um mundo cheio de cor
Um mundo macio como flocos de nuvens em um colo cheio de amor.
(Deus)

Enquanto eu puder criança eu vou ser
Dividir meus sonhos, medos e fantasmas
Que ainda teimo em ter...

Sou criança de sorrir com o cheiro de pipoca quentinha,
E do algodão doce gostar,
cantar velhas cantigas, enquanto o Natal não chegar.
Encanto-me com as barbas do velhinho
Embevecida as vitrines gosto de olhar...

Peço ao Papai Noel os sonhos de uma infância sem fim,
Pois só assim vai continua a existir,
Este mundo encantado.
Cá dentro de mim!

SER CRIANÇA É SER ETERNAMENTE UM SONHO BOM!

quinta-feira, setembro 17, 2009

Oprah Winfrey


* Oprah Winfrey


— Se um homem quer você, nada pode mantê-lo longe.

— Se ele não te quer, nada pode fazê-lo ficar.
— Pare de dar desculpas (de arranjar justificativas) para um homem e seu comportamento.

— Permita que sua intuição (ou espírito) te proteja das mágoas.

— Para de tentar se modificar para uma relação que não tem que acontecer.

— Mais devagar é melhor. Nunca dedique sua vida a um homem antes que você encontre o que realmente te faz feliz.

— Se uma relação terminar porque o homem não te tratou como você merecia, "dane - se, mande pro inferno, esquece!", vocês não podem "ser amigos". Um amigo não destrataria outro amigo.— Não conserte.

— Se você sente que ele está te enrolando, provavelmente é porque ele está mesmo. Não continue (a relação) porque você acha que "ela vai melhorar"

— Você vai se chatear daqui um ano por continuar a relação quando as coisas ainda não estiverem melhores.

— A única pessoa que você pode controlar em uma relação é você mesma.

— Evite homens que têm um monte de filhos, e de um monte de mulheres diferentes. Ele não casou com elas quando elas ficaram grávidas, então, porque ele te trataria diferente?

— Sempre tenha seu próprio círculo de amizade, separadamente do dele.

— Coloque limites no modo como um homem te trata. Se algo te irritar, faça um escândalo.— Nunca deixe um homem saber de tudo. Mais tarde ele usará isso contra você.

— Você não pode mudar o comportamento de um homem. A mudança vem de dentro.

— Nunca o deixe sentir que ele é mais importante que você... mesmo se ele tiver um maior grau de escolaridade ou um emprego melhor.

— Não o torne um semi -deus.

— Ele é um homem, nada além ou aquém disso.

— Nunca deixe um homem definir quem você é.

— Nunca pegue o homem de alguém emprestado...

— Se ele traiu alguém com você, ele te trairá.

— Um homem vai te tratar do jeito que você permita que ele te trate.

— Todos os homens NÃO são cachorros.

— Você não deve ser a única a fazer tudo... compromisso é uma via de mão dupla.

— Você precisa de tempo para se cuidar entre as relações. Não há nada precioso quanto viajar. veja as suas questões antes de um novo relacionamento.

— Você nunca deve olhar para alguém sentindo que a pessoa irá te completar... uma relação consiste de dois indivíduos completos.. procure alguém que irá te complementar... não suplementar.

— Namorar é bacana, mesmo se ele não for o esperado Sr. Correto.

— Faça- o sentir falta de você algumas vezes... quando um homem sempre sabe que você está lá, e que você está sempre disponível para ele

— ele se acha...

— Nunca se mude para a casa da mãe dele. Nunca seja cúmplice (co-assine) de um homem.

— Não se comprometa completamente com um homem que não te dá tudo o que você precisa. Mantenha-o em seu radar, mas conheça outros...

— Compartilhe isso com outras mulheres e homens (de modo que eles saibam). você fará alguém sorrir, outros repensarem sobre as escolhas, e outras mulheres se prepararem.

— Dizem que se gasta um minuto para encontrar alguém especial, uma hora para apreciar esse alguém, um dia para amá-lo e uma vida inteira para esquecê-lo.

— O medo de ficar sozinha faz que várias mulheres permaneçam em relações que são abusivas e lesivas: Dr. Phill-Você deve saber que você é a melhor coisa que pode acontecer para alguém e se um homem te destrata, é ele que vai perder uma coisa boa.

— Se ele ficou atraído por você à primeira vista, saiba que ele não foi o único.

— Todos eles estão te olhando, então você tem várias opções.

Faça a escolha certa.

ESCRITO POR REGINA BRETT, 90 ANOS, CLEAVELAND, OHIO.


"Para celebrar o envelhecer, uma vez eu escrevi 45 lições que a vida me ensinou.

É a coluna mais requisitada que eu já escrevi..


1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiver em dúvida, apenas dê o próximo pequeno passo
3 A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém
4. Seu trabalho não vai cuidar de você quando você adoecer. Seus amigos e seus pais vão. Mantenha contato.
5. Pague suas faturas de cartão de crédito todo mês
6. Você não tem que vencer todo argumento. Concorde para discordar.
7. Chore com alguém. É mais curador do que chorar sozinho.
8. Está tudo bem em ficar bravo com Deus. Ele agüenta..
9. Poupe para aposentadoria começando com seu primeiro salário.
10. Quando se trata de chocolate, resistência é em vão
11. Sele a paz com seu passado para que ele não estrague seu presente.
12. Está tudo bem em seus filhos te verem chorar.
13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem ideia do que se trata a jornada deles.
14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, você não deveria estar nele.
15 Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não se preocupe, Deus nunca pisca.
16. Respire bem fundo. Isso acalma a mente.
17. Se desfaça de tudo que não é útil, bonito e prazeroso.
18. O que não te mata, realmente te torna mais forte.
19. Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só depende de você e mais ninguém.
20. Quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, não aceite não como resposta.
21. Acenda velas, coloque os lençóis bonitos, use a lingerie elegante. Não guarde para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Se prepare bastante, depois deixe-se levar pela maré..
23. Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém é responsável pela sua felicidade além de você.
26. Encare cada "chamado" desastre com essas palavras: Em cinco anos, vai importar?
27. Sempre escolha a vida
28. Perdoe tudo de todos.
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo.
31. Independentemente se a situação é boa ou ruim, irá mudar.
32. Não se leve tão à sério. Ninguém mais leva...
33. Acredite em milagres
34. Deus te ama por causa de quem Deus é, não pelo o que vc fez ou deixou de fazer.
35. Não faça auditoria de sua vida. Apareça e faça o melhor dela agora.
36. Envelhecer é melhor do que a alternativa: morrer jovem
37. Seus filhos só têm uma infância
38. Tudo o que realmente importa no final é que você amou.
39. Vá para a rua todo dia. Milagres estão esperando em todos os lugares
40. Se todos jogássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos os de todo mundo, pegaríamos os nossos de volta.
41. Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
42. O melhor está por vir.
43. Não importa como você se sinta, levante, se vista e apareça.
44. Produza
45. A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente "

Quinta feira--17/09/09
08:37

segunda-feira, julho 27, 2009

Amizade!...


Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.


Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.


Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.


Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.

Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.


Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.


Albert Einstein

Um fósforo...


Um fósforo, uma bala de menta, uma xícara de café e um jornal: estes quatro elementos fazem parte de uma das melhores histórias sobre atendimento que conhecemos.

Um homem estava dirigindo há horas e, cansado da estrada, resolveu procurar um hotel ou uma pousada para descansar. Em poucos minutos, avistou um letreiro luminoso com o nome: Hotel Venetia.

Quando chegou à recepção, o hall do hotel estava iluminado com luz suave. Atrás do balcão, uma moça de rosto alegre o saudou amavelmente:
- Bem-vindo ao Venetia!

Três minutos após essa saudação, o hóspede já se encontrava confortavelmente instalado no seu quarto e impressionado com os procedimentos: tudo muito rápido e prático.

No quarto, uma discreta opulência; uma cama, impecavelmente limpa, uma lareira, um fósforo apropriado em posição perfeitamente alinhada sobre a lareira, para ser riscado. Era demais!

Aquele homem que queria um quarto apenas para passar a noite, começou a pensar que estava com sorte.

Mudou de roupa para o jantar (a moça da recepção fizera o pedido no momento do registro). A refeição foi tão deliciosa, como tudo o que tinha experimentado, naquele local, até então. Assinou a conta e retornou para o quarto. Fazia frio e ele estava ansioso pelo fogo da lareira.

Qual não foi a sua surpresa!
Alguém havia se antecipado a ele, pois havia um lindo fogo crepitante na lareira. A cama estava preparada, os travesseiros arrumados e uma bala de menta sobre cada um. Que noite agradável aquela!

Na manhã seguinte, o hóspede acordou com um estranho borbulhar.
Saiu da cama para investigar.Simplesmente uma cafeteira ligada por um timer automático, estava preparando o seu café e, junto um cartão que dizia: "Sua marca predileta de café. Bom apetite!".

Era mesmo! Como eles podiam saber desse detalhe?
De repente, lembrou-se: no jantar perguntaram qual a sua marca preferida de café.

Em seguida, ele ouve um leve toque na porta. Ao abrir, havia um jornal...
"Mas, como pode?! É o meu jornal! Como eles adivinharam?"
Mais uma vez, lembrou-se de quando se registrou: a recepcionista havia perguntado qual jornal ele preferia.

O cliente deixou o hotel encantando. Feliz pela sorte de ter ficado num lugar tão acolhedor. Mas, o que esse hotel fizera mesmo de especial?
Apenas ofereceram um fósforo, uma bala de menta, uma xícara de café e um jornal.

domingo, maio 10, 2009

A arte de ser Avó ?




Netos são como herança.Você os ganha sem merecer. Sem Ter feito nada para isso, de repente caem do céu...
É como dizem os ingleses, um Ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade.
E não se trata de um filho apenas suposto. O neto é realmente, o sangue da seu sangue, filho de filho, mais filho que o filho mesmo.
Cinqüenta anos, cinqüenta e cinco... você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava.
Não incomoda envelhecer, é claro.

A velhice tem suas alegrias, as suas compensações: todos dizem isso, embora você, pessoalmente, ainda não as tenha descoberto, mas acredita.
Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, ás vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.
Não de amores com suas paixões: a doçura da meia idade não lhe exige essa efervescência.
A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço.
O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as crianças?
Naqueles adultos cheios de problemas que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações, você não encontra de modo algum as suas crianças perdidas.
São homens e mulheres ? não são mais aqueles que você recorda. E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestão ou do parto, o doutor lhe coloca nos braços um bebê. Completamente grátis ? nisso é que está a maravilha.
Sem dores, sem choro, aquela criancinha da qual você morria de saudade, símbolo ou penhorada aquela mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um filho seu que lhe é devolvido. E o espanto é que todos lhe reconhecem o direito de amar com extravagância. Ao contrário, causaria espanto, decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado no seu coração. Sim, tenha a certeza de que a vida nos dá netos para nos compensar de todas as perdas trazidas pela velhice.
São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico deixado pelos arroubos juvenis.
E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono abre o olho e diz:_Vovó? seu coração estala de felicidade, como pão ao forno?...

Raquel de Queirós

DOS QUINZE AOS SESSENTA




Senti aos quinze anos
Que a dança do amor jamais mudaria de planos
Seria sempre daquela maneira corriqueira
Eu correndo atrás de alguém que não me queria bem

Aos vinte entendi que não era exatamente assim
Alguém poderia também correr atrás de mim
E eu superior na dança do amor
Fingiria não perceber
Até o instante que ele resolvesse me esquecer

Aos vinte e cinco começaram as decepções
Os términos e as desilusões
As lágrimas infinitas
As insônias malditas

Aos trinta fui apresentada a traição
E tive que conviver com essa terrível questão
Nessa mesma ocasião descobri como era ser trocada
Esquecida e ignorada

Aos trinta e cinco
Procurei com afinco.....um novo amor
E que dor.......foi tão difícil de achar
Encontrei almas encantadoras
E também destruidoras
Almas gêmeas e impostoras
Mas ninguém ficou comigo
Terminei no ostracismo

Agora aos quarenta
A gente inventa.....
Inventa que é feliz
Que tem o amor que sempre quis
Inventa que se alimenta de paixão
Que o coração ainda palpita de emoção

E talvez aos cinquenta eu descubra
Que aos quinze fui feliz

Que aos vinte
Eu tive o que eu quis

Que aos vinte e cinco
As noites mal dormidas
Poderiam ter sido resolvidas

Que aos trinta
A traição foi o melhor ingrediente da emoção
E que nessa época o gostoso foi dar o perdão

Que aos trinta e cinco
Buscar um amor não causou assim tanta dor
É bem verdade que foi com dificuldade
Mas ainda existia na minha alma
Uma grande carga de força e vitalidade

E que agora aos quarenta
Inventar pode ser gostoso
Sonhar, delicioso
E esperar, prazeroso

...mas enfim quando eu chegar aos cinquenta
Será que vou descobrir finalmente
Que a solidão assolou meu coração?
Que desde os quinze vivi mergulhada na ilusão?
Como serão os meus sessenta então?

Acho que aos sessenta...
Quem sabe uma nova dança a gente inventa...

Dayanna Daize