domingo, agosto 18, 2013

Nam Myoho Renge Kyo



"NAM
Nam, contração de Namu, que deriva do sânscrito NAMAS, significa "devotar" ou a relação perfeita da vida da pessoa com a verdade eterna. Ou seja, dedicar a própria vida ou relacionar-se com a verdade eterna da vida. Também significa acumular infinita energia através desta fonte e tomar atitudes positivas aliviando o sofrimento dos outros.

MYOHO
Myoho literalmente significa Lei Mística.
Myo significa "místico", mas elimina qualquer sombra de milagre. É assim chamado porque o mistério da vida é de inimaginável profundidade por tanto está além da compreensão do homem.

Ho significa "lei". A intrínseca natureza da vida é tão mística e profunda, que transcende o âmbito de conhecimento humano. Por exemplo: o ser humano nasce como um bebê, cresce e torna-se um jovem, depois um idoso e por fim morre. Isso é obviamente, uma inquebrável lei regulando cada espécie de vida. Ninguém jamais pode nascer adulto ou escapar desse ciclo, por mais que deseje.

RENGUE
Rengue é a lei de causa e efeito. O budismo esclarece essa lei em todos os fenômenos do universo, e é simbolizada pela Flor de Lótus (Ren, flôr e Gue lótus, em japonês), pois produz a semente (Causa) e a flor (Efeito) simultaneamente. Uma quantidade enorme de todas as causas passadas formam o efeito da condição presente. Ao mesmo tempo, o momento presente é a causa do futuro. Assim, a vida é a continuação dos momentos combinados pela corrente de causa e efeito.

KYO
Finalmente kyo que é a tradução do sânscrito Sutra, significando ensino, o ensinamento do Buda, que é eterno. Também é a função e influência da vida, assim como a transformação do destino, simbolizando a continuidade da vida através do passado presente e futuro.

Saddharma Pundarika Sutra é título original do Sutra de Lótus em Sânscrito
Ele foi traduzido no ano 406 por Kumārajīva recebendo em chines o nome de Myoho-Rengue-Kyo
Onde Sad se torna Myo,
Dharma, vira Ho
Pundarika, que é flor de lotus, vira Rengue
E Sutra, que é ensino passa a ser Kyo.


Nitiren Daishonin nos aponta o ensino que contém o caminho para a iluminação, essa frase que recitamos diariamente, o Nam-Myoho-Rengue-Kyo, que numa tradução livre seria o algo como: Devotar-se ao Sutra de Lótus, ou Devotar-se à Lei Mística da Causa e Efeito (exposta pelo Buda no Sutra de Lótus ).

O Nam-Myoho-Rengue-Kyo cobre todas as leis, toda a matéria e todas as formas de vida existentes no Universo. em outras palavras, é a vida do Buda que alcançou a suprema Iluminação. Se expandirmos ao espaço ilimitado, é idêntica à vida do Universo, e se condensarmos ao espaço limitado, é igual a vida individual dos seres humanos.

A natureza de Buda está exatamente dentro de cada um de nós. É o Nam-Myoho-Rengue-Kyo. Quando entoamos o Daimoku a natureza de Buda dormente dentro das nossas vidas é convocada. Invocado deste modo, o que desperta é o Buda. Quando um pássaro numa gaiola canta, os pássaros voando no céu vêm para baixo. Quando os outros pássaros se reúnem ao redor, o pássaro engaiolado tentará escapar. Do mesmo modo se recitarmos a Lei Mística, o Nam-Myoho-Rengue-Kyo em voz alta, a natureza de Buda se revela e se alegra e nos acompanha. Se praticarmos corretamente, não haverá beco sem saída na vida. Uma vez que nos baseamos na Lei Mística, podemos definitivamente transformar as nossas vidas para o melhor e ultrapassaremos qualquer impasse. Em qualquer situação, seguir essa lei absoluta com fé absoluta é, na verdade a base da nossa prática.
Nam-Myoho-Rengue-Kyo!" 


Todos os dias, alguém me pergunta o que é ser uma bruxa.
 Esta é uma pergunta fácil e difícil de explicar. 
Uma bruxa é, antes de tudo, alguém que está em contato
com energias sutis. 

Olhamos ao nosso redor e vemos mais
do que matéria.

 Vemos o íntimo, o Espírito das coisas nas coisas. 
 E trabalhamos com este espírito.
Se você olhar a seu redor, verá que tudo se compõe de uma
troca de energias entre você e o seu ambiente.

 A física nos coloca que o Universo inteiro é composto de energia.
Essa energia possui frequências diferenciadas. 
Da mesma forma que a luz pode se decompor em cores, a energia básica
do Universo se fragmenta em diversas manifestações físicas e
mentais.

Na origem da criação, no momento primeiro do Big
Bang, existiam apenas algumas formas básicas de partículas
que foram se diversificando e formam hoje tudo o que você vê,
e até o que você não vê.

Os átomos que compõem tudo o que existe daqui ao infinito
são partículas fundamentais que  se atraem ou se repelem.
E a força que faz com que esta atração ou rejeição aconteça
é uma energia que ninguém ainda conseguiu definir. Alguns
chamam de Acaso, outros de Deus, outros simplesmente de
Universo. 

Qualquer que seja a imagem que o Homem crie
para definir esta Força, nós bruxas acreditamos que existe
uma vontade de fazer com que as partículas se agreguem ou
desagreguem.

 Esta ideia permeia um princípio básico da
Magia: o princípio de que tudo o que ocorre possuiu uma
Vontade em sua base.

Outro dado é que a Física hoje já trabalha com a hipótese
de que o observador altera o comportamento do objeto
observado. E o que para os físicos é novidade, para nós,
bruxas, é algo antigo e comprovado.

Em síntese, a Magia consiste em trabalhar em estado
 alterado de consciência para entrar em contado com
as Energias Básicas por trás das coisas; e manipular
sua manifestação de acordo com a Vontade Maior do
Universo, em sintonia com a vontade da bruxa.


Dois elementos básicos entram na composição desta
manipulação: a crença de que é possível e o desejo
 sincero de se conseguir esta manipulação. 

Dois elementos poderosos - fé e desejo - que  podem
modificar tudo que existe em você e fora de você. 


Isto é Magia. Isto é ser bruxa!


Texto por Fernanda Suhet

quarta-feira, junho 05, 2013

DANÇANDO DE ROSTO COLADO



Rosto colado é coisa que os jovens de hoje não conhecem como preliminares de um ato de sedução. Nesses bailes de antigamente (que palavra dolorosa!), os jovens rastreavam o salão em busca da garota ideal para iniciar um romance.
Caso ela fosse localizada na mesa com os pais, nossas pernas tremiam. Uma cuba libre talvez fosse o combustível para encorajar o ato de atravessar o salão e chegar na mesa com o convite, formalismo, "vamos dançar? O "sim" dela poderia significar que também queria dançar, pois os olhos já tinham se cruzado num momento do baile, mas poderia ser apenas o "sim" formal para não dar um "cano" no rapaz audacioso. Neste último caso, a regra que a jovem aprendeu em casa com a mãe casamenteira, era dançar no máximo três para não significar que havia outro interesse a não ser o da boa educação.

No entanto, se "pintasse um clima" ai, Jesus! – as danças se prolongariam por todo o baile e, na hora exata, os rostos se colavam e a sedução começava com uma conversa de ouvido. O ato de seduzir transformava-se numa enciclopédia romântica que valia até mentiras ingênuas.

Corta para 2009...
 Não há mais rosto colado, não há mais bailes, os conjuntos melódicos são apenas boas lembranças e os clubes estão fechando seus salões que tinham a sua boate para os jovens. O beijo roubado, quando as luzes diminuíam de intensidade, era, talvez, o único da noite. Hoje, as garotas ficam apostando quem beija mais garotos numa noite e vulgarizou-se o ato mais sublime de um início de conquista.
O baile funk, mais que uma reunião dos jovens de hoje, é um convescote de traficantes em busca de novos babacas para o início de uma vida de vícios. Vale o mesmo para a festa reive e os incidentes estão aí na imprensa para que o colunista não passe por um "velho recalcado". A sedução transformou-se em agressão sexual, para ambos os lados.
Sem crack, sem pó, sem baseado, não há sequer uma aproximação de pessoas de sexo diferente. Rosto colado nem mesmo quando o DJ aposta em algo lento para descansar os dedos. Não se dança mais, os requebros e os pulos substituíram os passos cadenciados. O barulho do bate-estaca acabou com o diálogo. Sem diálogo não há sedução.
Fim de papo.
 Está bem, somos velhos quando falamos de “rosto colado”.
Mas ninguém pode roubar de nossa memória um tempo mágico onde o cavalheirismo de uma dança nos fazia flutuar por salões com pessoas especiais. E quem não dançou uma vez na vida de rosto colado não sabe o que perdeu. 
Rogério Mendelski.

sábado, junho 01, 2013

Pais e Filhos.

Meu filho, você não merece nada

Belíssimo artigo...Todos os pais deveriam ler...


A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada.

(ELIANE BRUM)

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.
Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou, para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.
Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.
Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.
Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.
É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?
Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.
Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.
Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.
A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.
Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.
Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.
Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.
Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.
O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.
Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.
Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da .vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.
Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.
Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba

quarta-feira, maio 22, 2013

Ser Chique é uma questão de atitude...





Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como atualmente. 

A verdade é que ninguém é chique por decreto. 
E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas. 

Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa recheado de grifes importadas. 
O que faz uma pessoa chique não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta. 

Chique mesmo é quem fala baixo. 
Quem não procura chamar atenção com risadas muito altas, decotes imensos. 
Gente que, sem querer, atrai todos os olhares porque tem brilho próprio. 

Chique mesmo é quem é discreto, não faz perguntas inoportunas, nem procura saber o que não é da sua conta. 

Chique mesmo é parar na faixa de pedestre e abominar a mania de jogar lixo na rua. 

Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e as pessoas que estão no elevador. 
É lembrar do aniversário dos amigos. 

Chique mesmo é honrar a sua palavra. 
É ser grato a quem lhe ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios. 

Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, mas ficar feliz ao ser prestigiado. 

Mas para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre do quanto a vida é breve. 
E de que vamos todos para o mesmo lugar. 
Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não lhe faça bem. 

Porque, no final das contas, chique mesmo é ser feliz! 

Professor Javier Naranjo - colombiano


Um professor colombiano (Javier Naranjo)passou dez anos coletando definições de seus alunos e, como resultado, obteve um dicionário com verbetes ao mesmo tempo puros, lógicos e reais

Um Professor
A Feira do Livro de Bogotá, que aconteceu no final de abril, teve como maior sucesso um livro chamado “Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças”. Mais especificamente, uma parte dele: umdicionário feito por crianças que traz cerca de 500 definições para 133 palavras, de A a Z.


Adulto: 

Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma
(Andrés Felipe Bedoya, 8 anos)

Ancião:

 É um homem que fica sentado o dia todo(Maryluz Arbeláez, 9 anos)

Água:
 Transparência que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos)

Branco:
 

O branco é uma cor que não pinta (Jonathan Ramírez, 11 anos)

Camponês: 
um camponês não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos (Luis Alberto Ortiz, 8 anos)


Céu:
De onde sai o dia(Duván Arnulfo Arango, 8 anos)

Colômbia:
 É uma partida de futebol (Diego Giraldo, 8 anos)


Dinheiro:

 Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e,
 sem ela, se faz inimigos
 (Ana María Noreña, 12 anos)


Deus:
 É o amor com cabelo grande e poderes
(Ana Milena Hurtado, 5 anos)


Escuridão:
 É como o frescor da noite 
(Ana Cristina Henao, 8 anos)


Guerra:
Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz 
(Juan Carlos Mejía, 11 anos)


Inveja:

 Atirar pedras nos amigos 
(Alejandro Tobón, 7 anos)


Igreja:
 Onde a pessoa vai perdoar Deus
 (Natalia Bueno, 7 anos)


Lua:
 É o que nos dá a noite
 (Leidy Johanna García, 8 anos)


Mãe:
 Mãe entende e depois vai dormir
 (Juan Alzate, 6 anos)


Paz:
 Quando a pessoa se perdoa
 (Juan Camilo Hurtado, 8 anos)


Sexo:
 É uma pessoa que se beija em cima da outra
 (Luisa Pates, 8 anos)


Solidão:
 Tristeza que dá na pessoa às vezes
 (Iván Darío López, 10 anos)


Tempo:
 Coisa que passa para lembrar 
(Jorge Armando, 8 anos)


Universo:
 Casa das estrelas
 (Carlos Gómez, 12 anos)


Violência:
 Parte ruim da paz 
(Sara Martínez, 7 anos)

quarta-feira, maio 01, 2013


Eu também já postei a referida no texto, com o titulo " Envelhecer".
Um desabafo...
Aí mora o medo!!


REFLEXÕES
(Neyza Dantas)


Há algum tempo registrei no meu BLOG, o que alguém escreveu: - Envelheci, e daí?
Como me identifiquei com tal pessoa! Mas, li em algum lugar, o que outra pessoa escreveu com muita sabedoria: “Ninguém quer ficar velho, mas também não quer morrer jovem.” Percebe?
No ano de 2011, ninguém acreditava quando eu dizia, respondendo ao preencherem formulários para isto ou aquilo, que eu estava com setenta e cinco anos.
Na verdade, até mesmo eu me espantava ao ver minha imagem em fotos ou no espelho.
Uma amiga gostava de mostrar minhas mãos, para admirarem por estarem lisas e sem aquelas “ferrugens” que denunciam o envelhecer. Nem uma pintinha marrom.
Colocavam em dúvida quando olhavam meus cabelos que nunca viram tintura.
E eu pensava: afinal, a velhice não é um bicho de sete cabeças. Aceitava minha idade tranquilamente. Até ali!
Hoje, estou chegando aos setenta e sete.
O ano de 2012 veio com tudo. Nada de bom!
Neste momento, recordando tudo que vivi desde o início do ano passado, me vejo na urgência de mudar meus conceitos sobre a idade. Nada de bom! Acontece e daí? É natural!
Quem chegou primeiro foi o medo. É um fenômeno dubitativo: o medo da morte me vem associado à asfixia. Sempre pedindo a Deus que quando for a hora, me poupe de morrer em situações onde me falte o ar. Por outro lado, me vem o medo de ficar anos e anos totalmente dependente de outrem para tudo. Zeus!
Este ano está sendo pior. É desanimador.
Sou semi-dependente entre quatro paredes. Já sofri dois infartos e não posso ir a lugar nenhum sozinha. Aí sou dependente. Pode crer!
Me apareceram doenças que só existiam para os outros: catarata, tireoidismo e qualquer coisa a investigar no coração.
E o pior de tudo é às vezes, desejar ir a algum lugar, dependendo da hora em que alguém pode sair comigo. Quase sempre a disponibilidade delas não coincide com o que eu quero. Passear, dançar, festas? Nem pensar! E aí?
É claro que, se eu pedir, elas ajeitam, mas me incomoda vê-las alterando seus planos para não me contrariarem. É de doer! Só!!!
Fica para depois, já é uma constante na minha vida. O aqui e o agora, já eram. Quer mais? Tudo tenho que anotar. Ah! Esqueci! E agora? (risos). Deixar cair as coisas é comigo mesmo. Fazer o que?
E não acreditarem em mim quando digo: tenho certeza! Essa é de morte! Indignidade! Arre!!!
Não sei exatamente quando foi que me quebrei em pedaços, igual um vaso de porcelana. Já que é impossível juntá-los como um quebra-cabeça e refazer minha vida – a de verdade -, coloquei-os em uma caixa inviolável, bem aqui nos meus dois aposentos que digo, só de farra, que é minha casa, pois na verdade são parte da casa da Vanessa. É até possível que alguma partícula tenha se perdido e não vou querer conferir: é melhor pensar que não está fazendo falta.
Sinto muitas saudades do tempo em que saía sozinha, a favor do vento fazendo poesia em meu corpo seguro, sem me preocupar com as horas. Entrar em uma loja para comprar supérfluos para mim ou para “minhas” adoráveis crianças; ser a única dona da minha vontade; não estar gastando a paciência de alguém que me acompanha por falta de opção. E preciso assegurar a gratidão.
Prefiro não medir o tempo em que fui dona de mim, para evitar a dor de saber que não o serei nunca mais. Como boa leonina, não vou me conformar. Jamais!!!

http://neyzadantas.blogspot.com.br

terça-feira, abril 23, 2013

O Tempo e o Modo





O tempo, que é de todos o maior e o mais sábio juiz, acaba sempre por mostrar quem se enganou, por ambição ou por falta de ponderação

Um pedaço de tempo é uma pepita de ouro

A nossa vida é um átomo, aliás, mais breve que um átomo; mas a natureza zombou dessa ninharia dando-lhe a aparência de um tempo bastante longo

A vida é uma luta contra o tempo. Queremos agarrá-lo, discipliná-lo, para poder fazer tranquilamente alguma coisa – e ele escoa-se, não pára, não se deixa agarrar, corre inexoravelmente, não nos deixa descansar.

Às vezes o tempo voa como um pássaro; outras arrasta-se como um caracol. O homem é feliz quando não se apercebe se o passo do tempo é lesto ou moroso. O que lhe importa é ganhar, em cada dia, mais um dia.
Dizer que o tempo é dinheiro, é falso e pernicioso. O tempo vale infinitamente mais que o dinheiro e nada tem de comum com ele. Não se pode amontoar tempo; nem tão pouco sabemos quanto tempo nos resta no banco da vida.
Aqueles para quem apenas o presente conta, na verdade nada conhecem da época em que vivem: para compreender o nosso século é necessário compreender todos os séculos que o procederam e que contribuíram para o formar

Não há um passado que mereça ser revivido com nostalgia, existe apenas um mundo eternamente novo e que se forma com a ampliação dos elementos do passado. A verdadeira nostalgia deve ser sempre produtiva para criar um mundo melhor

Apesar de dispormos diariamente de 1.440 minutos, vivemos escravizados pelo tempo. De tal modo, que ficamos ansiosos e a olhar furtivamente para o relógio, quando temos de conceder uns escassos minutos a alguém

Como o tempo não espera por ninguém, valorizemos cada momento de nossas vidas. Seja qual for a idade, aproveitemos, positivamente, cada segundo dos 86.400 que nos são atribuídos todos os dias, de tal modo que cheguemos a idosos sem nos sentir-mos velhos

O tempo não tem favoritos. Para ele somos todos iguais. O nosso dia de vinte e quatro horas não é maior ou mais pequeno que o do vizinho. Esse tempo pertence a cada um de nós para o gastarmos, segundo a segundo, hora a hora, dia a dia, ano a ano, como decidirmos
O tempo é demasiado aborrecido para os que nada esperam; demasiado rápido para os que têm medo; demasiado prolongado para os que se afligem; demasiado curto para os que se regozijam; mas para os que amam…o tempo é a eternidade

O tempo não espera por ninguém.

O Ontem pertence à História. O Amanhã é um mistério. Quanto ao Hoje, aproveitemo-lo integralmente, porque, é uma dádiva.

Por isso, se designa Presente


(Textos compilados de diversos escritores e pensadores mundiais)


terça-feira, abril 16, 2013

Entrevista com Sigmund Freud!

Entrevista com Sigmund Freud!

Entrevista conduzida por George Sylvester Viereck, publicada no seu livro: Glimpses of the Great, publicado simultaneamente em Nova Iorque, Londres e Berlim em 1930, e republicada no livro: ALTMAN, Fábio (org.) A arte da entrevista: uma antologia de 1823 aos nossos dias. São Paulo: Scritta 1995.


Sigmund Freud (1856-1939), o judeu austríaco fundador da psicanálise, formou-se em medicina em Viena. Aperfeiçoou seus estudos em Paris, com Jean-Marie Charcot, que usava a hipnose como tratamento para a histeria. Ao romper com Charcot e com a prática da hipnose, Freud se deparou com o mecanismo de defesa dos pacientes e pode então desenvolver a teoria do inconsci- ente e sua própria técnica terapêutica, baseada na livre associação de idéias. Para o médico austríaco, a neurose adulta era resultado da sexualidade infantil. Em 1900, Freud publicou A interpretação dos sonhos, seu primeiro trabalho revolucionário - obra que ele havia terminado anos antes mas que guardou para lançá-la no despertar de um novo século. Ele tinha razão ao adiá-lo: o século XX foi o tempo de Sigmund Freud. Em 1938, quando os nazistas anexaram a Áustria, depois de terem banido a psicanálise da Alemanha, Freud imigrou para a Inglaterra em companhia de sua Anna, que se tornaria conhecida como psicóloga infantil. Freud morreu de câncer na garganta.
George Sylvester Viereck (1884-1962), jornalista americano de origem judaico-alemã, iniciou sua carreira nas letras escrevendo poesias antes de se tornar um dos grandes entrevistadores da imprensa americana. Algumas de suas mais importantes conversas foram publicadas em um volume chamado Glimpses of the great, publicado simultaneamente em Nova Iorque, Londres e Berlim em 1930.

* * *
“Setenta anos de idade me ensinaram a aceitar a vida com alegre humildade."
Quem fazia essa declaração era o professor Sigmund Freud, o grande explorador austríaco do lado oculto da alma. Assim como o trágico herói grego Édipo, cujo nome está tão intimamente ligado aos princípios fundamentais da psicanálise, Freud confrontou a Esfinge sem receio. Como Édipo, ele decifrou o enigma. Pelo menos, nenhum mortal chegou tão perto dos segredos do comportamento humano quanto Freud.

Freud é para a psicologia o que Galileu foi para a astronomia. É o Cristóvão Colombo do inconsciente. Ele abre novas perspectivas, sonda novas profundezas. Freud alterou todas as relações na vida, decifrando o sentido oculto das regras do inconsciente. Conversamos na casa de veraneio de Freud em Semmering, uma montanha nos Alpes Austríacos, onde os vienenses elegantes adoram se reunir. A última vez que vira o pai da psicanálise, ele estava em sua casa simples na capital austríaca. Os poucos anos que separavam a minha última visita desta de agora multiplicaram as rugas na sua testa e aumentaram a sua palidez acadêmica. Seu rosto estava abatido, sofrido. A mente estava ativa, o espírito firme, a cortesia impecável como sempre, mas uma leve problema de fala me preocupou.

Parece que uma doença maligna no maxilar superior necessitara de uma operação. Desde então, Freud usa um aparelho mecânico para facilitar a fala.Na verdade, não há diferença entre o uso desse aparelho ou de óculos. Ele deixa Freud mais constrangido do que os visitantes. Depois que conversamos com ele por algum tempo, o aparelho se torna quase imperceptível. Nos dias em que Freud está bem, nem se percebe a presença dele. Mas para Freud, ele é causa de constante irritação.

Eu detesto o meu maxilar mecânico porque a luta com o mecanismo consome uma força preciosa. Mas é melhor ter um maxilar mecânico do que nenhum.Ainda prefiro viver a morrer. Talvez os deuses sejam generosos conosco, tornando a vida mais desagradável à medida em que envelhecemos. No final, a morte parece mais tolerável do que os muitos problemas que temos que enfrentar.

Freud se recusa a admitir que o destino tenha sido rancoroso com ele.

Por que, eu devia esperar por algum tipo de privilégio? A idade, com seus visíveis desconfortos, chega para todos. Ela atinge um homem aqui, outro lá. O seu golpe sempre atinge uma parte vital. A vitória final sempre pertence ao Conqueror Worm.

Out - out are the lights - out all!

And over each quivering form

The curtain, a funeral pall,

Comes down, with the rush af a storm,

And the angels, ali pallid and wan,

Uprising, unveiling, affirm

That the play is the tragedy"Man,"

And its hero the Conqueror Worm. (1)

Não me revolto contra a ordem universal, afinal vivi mais de setenta anos. Eu tive o que comer. Desfrutei de muitas coisas - do companheirismo da minha esposa, dos meus filhos, do pôr-do-sol. Eu vi as plantas crescerem na primavera. Algumas vezes recebi um aperto de mão amigo. Uma ou duas vezes encontrei um ser humano que quase me entendeu. O que mais eu posso querer?

- O senhor é famoso. O seu trabalho influencia a literatura de todo o mundo. O homem olha para si e para a vida com olhos diferentes por sua causa. E, há pouco tempo, quando o senhor fez 70 anos, o mundo se uniu para homenageá-lo - com exceção da sua própria universidade!
Se a Universidade de Viena me aceitasse, eu teria me sentido muito constrangido.Não há razão para eles me aceitarem ou à minha doutrina porque eu estou com 70 anos. Não dou nenhuma importância ilógica aos números. A fama só chega quando já estamos mortos, e, para ser franco, o que acontece depois da morte não me interessa. Não aspiro à glória póstuma. A minha modéstia não é nenhuma virtude.
- O fato do seu nome ser lembrado não significa nada para o senhor?

Absolutamente nada, mesmo que ele seja realmente lembrado, o que não é certo. Eu estou mais interessado no destino dos meus filhos. Espero que a vida deles não seja tão dificil. Não posso torná-las muito mais fácil. A guerra praticamente acabou com a minha modesta fortuna, as economias de uma vida inteira. Entretanto, felizmente, a idade não pesa tanto para mim. Eu ainda sou capaz de seguir em frente! Meu trabalho ainda me dá prazer.

Nós andávamos por um caminho do jardim da casa.
Com as mãos sensíveis, Freud acariciou um arbusto que florescia.

Estou muito mais interessado nestas flores do que no que possa acontecer comigo depois que eu morrer.

- Então, no fundo, o senhor é um pessimista?
Não, não sou. Só que eu não permito que nenhuma reflexão filosófica me tire a alegria das coisas simples da vida.


- O senhor acredita na continuidade do ser após a morte, seja lá de que maneira for?
Eu não penso nesse assunto. Tudo o que nasce, um dia morre. Por que então eu também não morreria?




- O senhor gostaria de retornar à vida, assumindo uma nova forma? Em outras palavras, o senhor não gostaria de ser imortal?
Para ser franco, não. Quem identifica as razões egoístas que se escondem sob o comportamento humano não tem a menor vontade de voltar. A vida, movendo-se em círculos, ainda seria a mesma. Além disso, mesmo que o eterno retorno de todas as coisas, como disse Nietzsche, nos vestisse com novas roupas, que utilidade isso poderia ter sem a memória? Não haveria ligação entre o passado e o futuro. No que me diz respeito, estou muito satisfeito em saber que o eterno absurdo de viver terminará um dia. Nossa vida se resume a uma série de obrigações, uma luta sem fim entre o ego e o seu ambiente. O desejo de um prolongamento excessivo da vida me parece absurdo.



- O senhor não aprova as tentativas do seu colega Steinach de prolongar o ciclo da existência humana?
Steinach não faz nenhuma tentativa para prolongar a vida. Ele simplesmente luta contra a velhice. Ao aumentar a reserva de forças que temos dentro de nós, ele ajuda o corpo a resistir à doença. A operação de Steinach às vezes detém os acidentes biológicos, como o câncer, nos seus primeiros estágios. Ela toma a vida mais tolerável. Mas não a torna mais feliz. Não há razão para que o homem queira viver mais. Mas temos todas as razões para querer viver com o mínimo de desconforto possível. Sou bastante feliz, porque não sinto dores e sou grato aos pequenos prazeres da vida, aos meus filhos e às minhas flores!

- Bernard Shaw diz que vivemos muito pouco. Ele acha que, se quiser, o homem pode prolongar o tempo de vida humana, se a força de vontade suplantar as forças da evolução. A humanidade, segundo ele, pode recuperar a longevidade dos patriarcas.

É possível que a morte em si não seja uma necessidade biológica.Talvez os homens morram porque queiram morrer. Assim como o amor e o ódio pela mesma pessoa coexistem dentro de nós, a vida é uma mistura do desejo de viver com o desejo ambivalente de morrer. Da mesma forma que um elástico tende a voltar ao seu formato original, toda matéria viva, consciente ou inconscientemente, anseia pela inércia completa e absoluta da existência inorgânica. Os desejos de morrer e de viver convivem lado a lado dentro de nós. A Morte é a companheira do Amor. Juntos, eles governam o mundo. Essa é a mensagem do meu livro, Além do princípio do prazer. No início, a psicanálise achava que o Amor era o sentimento mais importante. Hoje, sabemos que a Morte tem a mesma importância. Biologicamente, todo ser humano, não importando a intensidade do seu desejo de viver, anseia pelo Nirvana, pela fim da febre chamada vida, pelo seio de Abraão. O desejo pode ser disfarçado por rodeios. Entretanto o objetivo final da vida é a própria extinção!

- Essa, exclamei, é a filosofia da autodestruição. Ela justifica o automassacre.Levaria à conclusão lógica do suicídio mundial previsto por Eduard von Hartmann.
A humanidade não escolhe o suicídio, porque as leis da sua natureza não aceitam o caminho direto para a própria meta. A vida deve completar o seu ciclo de existência. Em qualquer ser humano normal, o desejo de viver é o bastante para compensar o desejo de morrer, embora, no final, o desejo de morrer prove ser mais forte. Nós podemos considerar a idéia de que a morte nos chega por vontade própria. É possível que derrotássemos a morte, não fosse pelo aliado que ela tem dentro de nós mesmos. Nesse sentido, acrescentou Freud com um sorriso, talvez seja certo dizer que toda morte é um suicídio disfarçado.

Começou a esfriar no jardim. Continuamos a conversa no escritório. Vi uma pilha de escritos com a letra de Freud sobre a escrivaninha.

- Em que o senhor está trabalhando?
Estou escrevendo uma defesa da análise leiga, a psicanálise praticada por leigos.Os médicos querem tornar ilegal a análise feita pelos que não são médicos registrados. A história, essa velha plagiadora, se repete a cada nova descoberta.Os médicos, a princípio, combatem qualquer nova verdade. Depois eles tentam monopolizá-la.

- O senhor teve um grande apoio dos leigos?
Alguns dos meus melhores alunos são leigos.

- O senhor pratica a psicanálise com muita freqüência?
Claro. Nesse exato momento, eu estou trabalhando em um caso difícil, esclarecendo os conflitos psíquicos de mais um paciente interessante. Minha filha também é uma psicanalista, como o senhor pode ver ...

Nesse momento, a senhorita Anua Freud surgiu seguida por seu paciente, um rapaz de 11 anos, de feições obviamente anglo-saxônicas. O menino parecia muito feliz, esquecido do conflito da própria personalidade.

- O senhor se auto-analisa?É claro. O psicanalista deve se auto-analisar com freqüência. Ao nos analisarmos, nos tornamos mais capazes de analisar outras pessoas. O psicanalista é como o bode expiatório dos hebreus. As pessoas colocam a culpa dos seus pecados nele.Ele deve exercer a sua arte com perfeição para se livrar do peso colocado sobre ele.
- Sempre me pareceu que a psicanálise desperta em todos aqueles que a praticam o espírito da caridade cristã. Não há nada na vida humana que a psicanálise não nos permita entender. “Tout comprendre c'est tout pardonner."

Pelo contrário - enfureceu-se Freud, as feições assumindo a severidade arrebatada de um profeta hebreu - entender não é perdoar .A psicanálise não apenas nos ensina o que temos que suportar, ela também ensina o que temos que evitar. Ela nos diz o que deve ser eliminado. A tolerância do mal não é, de maneira nenhuma, uma conseqüência do conhecimento.

De repente eu entendi por que Freud brigara tão seriamente com os seguidores que o abandonaram, por que ele não consegue perdoar aqueles que se afastaram do caminho da psicanálise ortodoxa. O seu senso de integridade é uma herança dos seus ancestrais. Uma herança da qual ele se orgulha, assim como se orgulha da própria raça.

Minha língua é o alemão - explicou-me - Minha cultura, minhas conquistas são alemãs. Considerei-me um alemão do ponto de vista intelectual, até que percebi o crescimento do anti-semitismo na Alemanha e na Áustria alemã. Desde então, não me considero mais um alemão. Prefiro me considerar um judeu."

De certa maneira fiquei decepcionado com esse comentário. Parecera-me que o espírito de Freud estava acima de qualquer preconceito de raça, que ele não seria atingido por qualquer rancor pessoal. Ainda assim, aquela mesma indignação, a raiva honesta, conquistou-me por torná-lo mais humano.Aquiles seria insuportável, não fosse por seu calcanhar!


- Estou feliz – comentei - Herr Professor, que o senhor também tenha os seus complexos, que o senhor também exponha a sua mortalidade.
Os nossos complexos - respondeu Freud - são a fonte da nossa fraqueza e, com frequência, também da nossa força.
- Quais seriam os meus complexos?",
Uma análise séria levaria, pelo menos, um ano. Talvez demorasse até mesmo uns dois ou três anos. O senhor tem dedicado muitos anos da sua vida à caça de leões.O senhor tem procurado, ano após ano, as grandes personalidades da sua geração, invariavelmente homens mais velhos. Posso citar Rooseve1t, o Kaiser, Hindenburg, Briand, Foch, Joffre, George Brandes, Gerhart Hauptmann e George Bernard Shaw...
- Isso é parte do meu trabalho.

Mas também é uma preferência. O homem importante é um símbolo. A sua busca é afetiva. O senhor está à procura do homem importante que irá tomar o lugar do seu pai. Isso é parte do complexo que o senhor tem em relação ao seu pai.

Neguei a afirmação de Freud com veemência. Entretanto, após refletir, parece-me que pode haver alguma verdade, insuspeita para mim, na sua sugestão casual. Talvez seja o mesmo impulso que me levou a ele.

- No seu trabalho O Judeu Errante - acrescentei,- o senhor estende essa busca ao passado. O senhor é o eterno Explorador do Homem. Eu queria poder ficar aqui durante o tempo que fosse necessário para ver o meu interior através dos seus olhos. Talvez, como a Medusa, eu morresse de medo ao ver minha própria imagem! Entretanto acho que conheço bastante a psicanálise. Eu iria prever, ou tentar prever, as suas intenções.

A inteligência de um paciente - respondeu Freud - não é um empecilho. Pelo contrário, às vezes, ela facilita o trabalho.

Nesse aspecto, o mestre da psicanálise difere de muitos dos seus adeptos, que se ressentem de qualquer dedução feita pelos próprios pacientes sob os cuidados deles. A maioria dos psicanalistas emprega o método da "livre associação" de Freud. Eles encorajam o paciente a dizer qualquer coisa que lhes venha à cabeça, não importando o quanto o que dizem possa ser idiota, obsceno, inoportuno ou irrelevante. Seguindo pistas que parecem não ter importância, encontram os dragões psíquicos que assustam o paciente, afugentando-os. Eles não apreciam o desejo de cooperação ativa do paciente, pois têm medo que, quando descoberta a direção da sua investigação, os desejos e a resistência do paciente lutem inconscientemente para manter seus segredos, desviando o caçador psíquico da sua pista. Freud também reconhece esse perigo.

- Às vezes eu penso - disse eu - se nós não seríamos mais felizes se conhecêssemos menos o processo que forma os nossos pensamentos e emoções. A psicanálise tira o encantamento da vida, quando segue a pista de cada um dos sentimentos até os seus complexos básicos. Não ficamos mais felizes ao descobrir nosso lado selvagem, criminoso e animal.

O que o senhor tem contra os animais? - respondeu Freud - A comunidade animal é infinitamente melhor do que a humana:'

- Porquê?
Porque os animais são muito mais simples. Eles não sofrem de personalidade dividida ou desintegração do ego, problemas que surgem da tentativa do homem de se adaptar a padrões de civilização que são sofisticados demais para o seu mecanismo intelectual e psíquico. O selvagem, assim como o animal, é cruel, mas ele não tem a maldade do homem civilizado. A maldade é a vingança do homem contra a sociedade pelas restrições impostas a ele. É essa vingança que dá vida ao reformista profissional e às pessoas intrometidas. O selvagem pode cortar a sua cabeça, comê-lo, torturá-lo. mas ele vai poupá-lo das pequenas provocações que, às vezes, tornam a vida em uma comunidade civilizada quase intolerável. Os hábitos e as idiossincrasias mais desagradáveis do homem, como a trapaça, a covardia e a falta de respeito, são produzidos pela sua adaptação incompleta a uma civilização complicada. É o resultado do conflito entre os nossos instintos e a nossa cultura. As emoções intensas, diretas e simples de um cachorro, ao abanar o rabo ou latir quando é contrariado, são muito mais agradáveis! As emoções de um cachorro - acrescentou Freud pensativo - me fazem lembrar um dos heróis da antiguidade. Talvez seja por isso que nós inconscientemente damos aos cães nomes de heróis da antiguidade como Aquiles ou Heitor.
O meu próprio cachorro – interrompi - se chama Ajax. Freud sorriu. Fico feliz, - acrescentei - que ele não consiga ler. Se pudesse latir, expressando sua opinião sobre traumas psíquicos e complexos de Édipo, ele não seria um membro tão querido da família!

- Até mesmo o senhor, professor, acha a existência muito complexa. No entanto, me parece que o senhor mesmo é, em parte, responsável pela complexidade da civilização moderna. Antes que o senhor inventasse a psicanálise. ninguém sabia que a personalidade era dominada por um exército beligerante de complexos bastante censuráveis. A psicanálise fez da vida um complicado quebra-cabeça.

De jeito nenhum - respondeu Freud - A psicanálise simplifica a vida. Nós atingimos uma nova síntese depois da análise. A psicanálise cria uma nova ordem para o labirinto onde estão perdidos certos impulsos, e tenta conduzi-los para o lugar ao qual pertencem. Ou, usando outra metáfora, ela é o fio que conduz o homem para fora do labirinto do seu próprio inconsciente.

- Em uma visão superficial, parece, entretanto, que a vida humana nunca foi tão complexa. E, a cada dia, alguma nova idéia, apresentada pelo senhor ou por um dos seus discípulos, torna o problema do comportamento humano mais enigmático e contraditório.

Pelo menos a psicanálise nunca fecha as portas para uma nova verdade.

- Alguns dos seus alunos, mais ortodoxos do que o senhor, se agarram a qualquer declaração que o senhor faça.

A vida muda e a psicanálise também - observou Freud - Estamos só no princípio de uma nova ciência.

- Eu acho a estrutura científica que o senhor criou muito complexa. E os elementos dessa estrutura, como a teoria da substituição, da sexualidade infantil, do simbolismo dos sonhos, etc., parecem permanentes.

No entanto, torno a dizer, nós só estamos começando. Sou apenas um principiante.Consegui trazer à tona muito do que estava enterrado nas camadas mais profundas da mente. Mas, enquanto eu só descobri alguns templos, outros podem descobrir um continente.

- O senhor ainda dá grande importância ao sexo?

Eu respondo com as palavras do grande poeta Walt Whitman: “Mas não haveria nada, se não houvesse o sexo”. Entretanto, como já disse, hoje em dia, eu dou a mesma importância ao que está além do prazer - a morte, a negação da vida. Esse desejo explica porque alguns homens gostam da dor - ela representa um passo em direção à morte! O desejo da morte explica por que todos os homens procuram o descanso eterno, por que os poetas agradecem -

“Whatever gods there be,

That no life lives for ever,

That dead men rise up never,

And even the weariest river

Winds somewhere safe to sea “ (2)

- Shaw, como o senhor, não deseja viver para sempre, mas ele acha o sexo desinteressante, comentei.

Shaw, respondeu Freud, sorrindo, não entende o sexo. Ele não faz a mais remota idéia do que seja o amor. Não existe nenhum relacionamento amoroso real nas suas peças. Ele transforma o caso de amor de César - talvez a maior paixão da história - em uma piada. Deliberadamente, para não dizer maliciosamente, ele despe Cleópatra de todo o seu esplendor e a rebaixa à condição de uma mulher insignificante, petulante e exagerada. A razão para a estranha atitude de Shaw em relação ao amor e para a sua negação do impulso primordial de todas as ações humanas, o que tira de suas peças o atrativo universal apesar da sua grande inteligência, está na natureza da sua psicologia. Em um de seus prefácios, Shaw enfatiza o aspecto ascético da sua personalidade. Posso ter cometido muitos erros, mas tenho certeza que não errei ao enfatizar a predominância do instinto sexual.Porque o instinto sexual é tão forte que se choca com muita freqüência contra as convenções e salvaguardas da civilização.A humanidade, em defesa própria, procura negar a importância suprema do sexo. Analise qualquer emoção humana, não importa o quanto ela esteja distante da esfera do sexo, e o senhor vai encontrar com certeza, em algum lugar, o impulso primordial, ao qual a própria vida deve a sua perpetuação.


- É certo que o senhor conseguiu incutir o seu ponto de vista sobre todos os escritores modernos. A psicanálise deu nova força à literatura.

Ela também recebeu contribuições da literatura e da fllosofia. Nietzsche foi um dos primeiros psicanalistas. É incrível o quanto a intuição dele se antecipou às nossas descobertas. Ninguém identificou com mais clareza as razões para o comportamento humano e a luta do princípio do prazer pelo eterno domínio. O seu Zaratustra diz:

Woe
Crieth: Go

But Pleasure craves eternity,
Craves quenchless, deep eternity (3)

Pode ser que a psicanálise seja menos discutida na Áustria e na Alemanha do que nos Estados Unidos, mas a sua influência sobre a literatura, no entanto, é enorme.Thomas Mann e Hugo von Hofmansthal nos devem muito. Schnitzler acompanha, em grande parte, o meu desenvolvimento. Ele expressa através da poesia muito do que eu tento transmitir cientificamente. Mas o doutor Schnitzler não é apenas um poeta, ele é também um cientista.

- O senhor, respondi, não é apenas um cientista, é também um poeta. A literatura americana, continuei, está impregnada pela psicanálise. Rupert Hughes, Harvey O'Higgins e outros são seus intérpretes. É quase impossível abrir um novo romance recente sem encontrar alguma referência a psicanálise.Entre os dramaturgos, Eugene O'Neill e Sydney Howard devem muito ao senhor. The Silver Cord (O cordão de prata), por exemplo, é uma mera dramatização do complexo de Édipo.


Eu sei disso, sou grato pelo reconhecimento, mas temo pela minha própria popularidade nos Estados Unidos. O interesse dos americanos pela psicanálise não é muito profundo.A grande popularidade leva à aceitação superficial sem uma pesquisa séria.As pessoas apenas repetem o que escutam no teatro ou lêem nos jornais. Eles pensam que compreendem a psicanálise, porque conseguem repetir o nosso jargão! Eu prefiro o estudo mais intenso da psicanálise nos centros europeus.Os Estados Unidos foram o primeiro país a me reconhecer oficialmente.A Clark University me conferiu um grau honorário quando eu ainda estava condenado ao ostracismo na Europa. No entanto os Estados Unidos contribuíram muito pouco para o estudo da psicanálise. Os americanos são generalizadores inteligentes, mas raramente são pensadores criativos. Além disso, os médicos americanos, bem como os austríacos, tentam apropriar-se do campo. Deixar que a psicanálise permaneça somente nas mãos dos médicos será fatal para o seu desenvolvimento A formação médica pode ser tanto uma vantagem quanto uma desvantagem para o psicanalista. Ela é uma desvantagem quando certas convenções científicas aceitas se tornam arraigadas demais na mente do estudante.

Freud precisa dizer a verdade a todo custo! Não consegue se forçar a lisonjear os Estados Unidos, onde tem a maioria dos seus admiradores. Não consegue, mesmo estando em desvantagem, fazer as pazes com a profissão médica, que até hoje o aceita com grande relutância. Apesar da sua integridade inflexível, Freud é muito cortês. Ele ouve qualquer sugestão com paciência, sem jamais tentar intimidar o entrevistador. É raro um convidado partir sem algum presente, uma lembrança da sua hospitalidade! A noite chegara. Estava na hora de pegar o trem de volta para a cidade que um dia abrigara o esplendor imperial dos Habsburgos. Freud, acompanhado pela esposa e pela filha, subiu a escada que ligava o seu retiro nas montanhas à rua, para se despedir de mim. Ele me pareceu triste e sombrio, quando acenou para mim.

Não me faça parecer um pessimista - comentou depois do último aperto de mão - Eu não desprezo o mundo. Expressar insatisfação para com o mundo é só uma outra maneira de cortejá-lo, para conseguir platéia e aplausos! Eu não sou um pessimista, não enquanto tiver meus filhos, minha mulher e minhas flores! As flores - acrescentou ele sorrindo - felizmente não têm personalidade ou complexidades.Adoro as minhas flores. E não sou infeliz - pelo menos, não mais do que outras pessoas.

O apito do meu trem soou na noite. O carro me levou à estação com rapidez Aos poucos, a figura levemente curvada e a cabeça grisalha de Sigmund Freud desapareceram ao longe. Como Édipo, Freud olhou fundo nos olhos da Esfinge.O monstro propõe seu enigma para qualquer viajante. O andarilho que não souber a resposta será cruelmente agarrado e atirado contra as rochas. Mesmo assim, ela talvez seja mais gentil com aqueles que destrói do que com os que adivinham seu segredo.
__________

Notas:
(1) Acendam - acendam as luzes - todas elas
E acima de cada forma trêmula
A cortina, um pano mortuário
Desce, com a fúria de uma tempestade,
E os anjos, todos pálidos e lívidos,
levantando, revelando, afirmam
Que a peça é a tragédia "Homem",
E seu herói o Verme Conquistador.

(2) Onde quer que os deuses estejam,
Não há vida que viva para sempre
Os homens mortos nunca renascem,
E até o rio mais enfastiado
Segue confiante na direção do mar

(3) Desgraça

Grite: Vá
Mas o prazer implora por eternidade,
Implora insaciável, profunda eternidade


FONTE: www.tirodeletra.com.br